Conteúdo e Mídia

Mensagens

Mensagem de 21.10.18


Não julgueis, para que não sejais julgados (Mateus 7.1).


Um casal recém-chegado no bairro tomava café da manhã, quando a mulher reparou através da janela que uma vizinha pendurava lençóis no varal e disse: “Que lençóis sujos ela está pendurando!” O marido a ouviu calado. Alguns dias depois, novamente a mulher disse: “A vizinha continua pendurando os lençóis sujos. Ah! Se eu pudesse ensiná-la a lavar suas roupas.” E, assim, ela sempre repetia o seu discurso. Um mês depois, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis estendidos e disse ao marido: “Olhe, a vizinha finalmente aprendeu a lavar suas roupas. Quem será que a ensinou?” “O marido respondeu: Ninguém, hoje eu lavei os vidros da nossa janela.”

Essa história nos remete a uma reflexão: Quantas vezes nós olhamos para o defeito do outro sem enxergar os nossos? Estabelecemos tão facilmente juízo de valor a respeito dos outros e perdemos a autocrítica, nos levantamos cheios de razão sobre a falha alheia e nos fingimos de morto para não sermos flagrados. Pedimos justiça para os outros e misericórdia para nós mesmos.

Sabendo da tendência de o ser humano emitir opiniões aonde não é chamado, disparar comentários inapropriados a respeito da vida de terceiros, criar preconceitos rapidamente e julgar outras pessoas com base no conjunto pessoal de valores, Jesus orientou veementemente a não julgarmos. Disse mais: Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: “Deixe-me tirar o cisco do seu olho”, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão (Mateus 7.2-5 – NVI).

O contexto deixa claro que a coisa aqui condenada é aquela disposição de emitir opinião desfavorável sobre o caráter e as ações de outros, julgamentos precipitados, injustos e desagradáveis ​​sobre eles. A disposição de censurar o outro vai diretamente contra o amor e produz um efeito bumerangue: quem julgar será julgado, o autor da hostilidade será hostilizado, a ação sofrerá reação. Em outras palavras, aquele que julga terá seu próprio caráter e ações medidos com a mesma gravidade.

Cisco é algo pequeno, muito embora tenha o poder de incomodar quem o tem. Já trave, ou viga, é algo tão exagerado, que se torna de impossível convivência. Jesus utiliza-se dessa figura de linguagem para que não haja dúvida quanto ao comportamento reprovável que faz a respeito de todo aquele que emite juízos de valor sobre outras pessoas.

Algumas vezes, o comportamento de julgar outros acontece quando rumores são tratados como fatos, com frases do tipo: “Você ouviu o que estão dizendo dele?” Daí nascem as fofocas e calúnias que detratam a imagem das pessoas julgadas, provocando danos de difícil reparo. Outras vezes, acontece julgamento subjetivo das motivações, com frases do tipo: “Ela só faz isso, pois tem segundas intenções”. Daí nasce o ambiente de desconfiança e suspeita. Terrível para os relacionamentos.

Por isso tudo, emitir julgamentos sobre a vida alheia traz amargor à alma, cria inimizades, provoca reações igualmente ostensivas. É inimigo do coração! O melhor é não julgar, sequer em pensamento. Se pensou, o melhor é calar-se. Se já falou, o santo e amargo remédio passa a ser pedir perdão. Seja em que estágio for, fuja da prática de emitir juízo de valor. Resumo e conclusão: lave bem sua janela e não se preocupe com a roupa do varal do vizinho.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa