A centralidade do reino de Deus
Publicado em 04.06.2010
Ao lermos os evangelhos percebemos a centralidade do reino de Deus na pessoa, nos ensinos e nas ações de Jesus. A palavra “igreja” é encontrada apenas duas vezes nos capítulos 16 e 18 de Mateus, mas “reino de Deus” ou equivalentes são encontrados mais de uma centena de vezes. Ao expulsar demônios, Jesus demonstrou que o reino já tinha chegado (Mateus 12.28). O reino de Deus foi o tema da conversa dele com os discípulos durante 40 dias entre a ressurreição e a ascensão (Atos 1.3). A igreja não é, portanto, senhora, mas serva do rei Jesus. Por isso, o reino de Deus é central na vida do cristão, na missão da igreja e na esperança cristã.
Na vida do cristão. Na verdadeira conversão o rebelde se rende à soberania do Senhor. O ensino é claro: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36). Ao vivermos sob a soberania de Deus, desfrutamos da maior bênção que é a vida eterna e também nos libertamos da ansiosa preocupação pelas coisas da vida, pois o Pai celeste sabe que necessitamos de todas elas. Devemos buscar o reino de Deus e a sua justiça e todas as demais coisas úteis, desejáveis e necessárias nos são acrescentadas (Mateus 6.31-34). Assim, o reino de Deus passa a ser realidade na vida de todo aquele em cujo coração Cristo habita (João 14.23).
Na missão da igreja. A missão da igreja não é a de se estabelecer como senhora na terra, mas é anunciar, propagar e promover o reino de Deus. O exemplo de Paulo vale para todos nós: “Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavras e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo” (Romanos 15.18-19a). Essa missão é de todos os crentes, pois todos são revestidos com o poder do Espírito Santo para que sejam testemunhas de Jesus (Atos 1.8; Atos 2.17-20). As nossas células precisam viver essa realidade para que, se forem visitadas por incrédulos, sejam eles por todos convencidos e julgados, tornem-se manifestos os segredos dos seus corações e se prostrem com a face em terra, adorando a Deus e testemunhando que Deus está, de fato, no nosso meio (1 Coríntios 14.23-25).
Na esperança cristã. A verdadeira conversão nos introduz no reino de Deus. Comprados para Deus pelo sangue do Cordeiro, somos por ele constituídos reino e sacerdotes para reinarmos sobre a terra (Apocalipse 5.9-10). No entanto, ao mesmo tempo em que o reino é uma realidade, é também esperança. Jesus tem toda a autoridade no céu e na terra (Mateus 28.18) e reina até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés (1 Coríntios 15.25). Então, entregará o reino ao Pai para que Deus seja tudo em todos (1 Coríntios 15.26-28). Paulo contrasta a esperança cristã com a atitude daqueles que, mesmo professando a fé, só pensam nas coisas da terra: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Filipenses 3.20-21).
Enquanto o rei não volta é tempo de missão. É tempo de semear, de cuidar e de aguardar a grande colheita profetizada por Jesus, quando “os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai” (Mateus 13.43).
Mathias Quintela de Souza