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Uma experiência em célula de acolhimento ao estrangeiro.

O haitiano Dieuseul  Beazile chegou ao Brasil em 2015. Na bagagem trouxe a esperança de uma vida melhor. Em sua terra natal enfrentou o desemprego e outras intempéries que o motivaram a buscar em outras terras novas oportunidades. Por que o Brasil? Após o terremoto que assolou o Haiti em 2010, o governo brasileiro abriu as portas para receber haitianos, o que se tornou um atrativo para ele. Além disso, Dieuseul tinha um primo que morava em Londrina.

No início foram muitas as dificuldades, a barreira do idioma, a distância da família. Dieuseul ganhou um nome novo, Jhone.

A princípio, Jhone foi morar com o primo, que logo se casou. Após arrumar um emprego em uma empresa de higienização e limpeza, alugou uma casa muito simples. 

Alguns meses depois, Jhone conheceu Genival Vieira do Angelo, funcionário de uma empresa que vendeu produtos para a firma onde o haitiano trabalhava. Desse contato profissional nasceu uma amizade. Genival, que era líder de célula na época, começou a ajudar Jhone, conseguiu uma casa mais perto de onde morava para dar melhor assistência.

O haitiano começou frequentar as reuniões de célula e fez novas amizades. Todos o ajudavam como era possível, com cesta básica e outros recursos, pois do Brasil, ele ajudava manter sua família no Haiti.

O desejo de Jhone era trazer a esposa e os filhos para o Brasil. Para isso eles precisariam conseguir o visto de entrada, e recursos para as passagens. Mais uma vez, a célula se mobilizou. Um dos membros, Jean Gustavo dos Santos, que é advogado preparou uma carta de solicitação de vistos dirigida à Embaixada do Brasil no Haiti. O documento deveria ser apresentado pela esposa de Jhone no momento da entrevista. Como ele já estava regularizado no país, nesse caso, o governo brasileiro permite a união da família. Mesmo assim, o processo foi demorado, mas com toda a documentação em dia e taxas recolhidas, finalmente, os vistos foram liberados.

Após vencida a primeira etapa, o próximo passo seria levantar os recursos para a aquisição das passagens. A célula sozinha já não tinha como suprir essa necessidade. Foi quando o grupo procurou o Pr. Pedro Leal Junior e a partir de então, a igreja, por meio do Distrito Missão Integral e do Ministério de Ação Social e Diaconia, foi mobilizada para uma campanha que também envolveu irmãos que doaram milhas para as passagens.

Esse processo durou dois anos. No dia 7 de agosto de 2018, Jhone foi até São Paulo buscar a família. Para ele um momento de grande emoção. No aeroporto de Londrina, a família haitiana foi recebida pela célula. O atual líder da célula, Reginaldo Corrêa do Nascimento, destaca a importância do acolhimento demonstrado pela igreja.

Integrar a esposa Fonia, o filho Dieunel, 11 anos, e Dieulanda, 6 anos é o novo desafio de Jhone. A comunicação tem sido a maior dificuldade. Com a ajuda da célula, a família conseguiu uma casa maior e agora está procurando escola para as crianças para 2019.

 

Fonia está participando do curso de cabeleireiro oferecido pelo Instituto Esperança. Ela está fazendo estágio no salão da Erika Magalhães, professora do curso. “A Fonia é muito dedicada, tem vontade de aprender e está indo bem”, relata Erika.

“Puro amor” são as palavras que a Ev. Neide Ribeiro de Souza, superintendente da área de célula, encontra para definir o que irmãos e irmãs, por meio da célula têm demonstrado para o Jhone e sua família.

Construindo pontes

Nos dias 14 e 15 de setembro foi realizado o 1º Workshop de Facilitadores para Trabalho com Imigrantes e Refugiados. O evento foi organizado pela MIAF – Missão para o Interior da África, e ministrado pelo Prof. Maurício Lima de Oliveira Medina, da Igreja Batista Aeroporto. O workshop aconteceu no Espaço Esperança e reuniu 52 participantes.

A realidade do imigrante assim que chega ao Brasil, seu contexto, dificuldades e a forma de fazer o acolhimento foram assuntos abordados pelo Prof. Maurício. Outro ponto importante para o facilitador que vai ensinar o português é ter noção da língua materna do imigrante.

A proposta é desenvolver uma ação continuada. Depois do Workshop, alguns voluntários se reuniram para definir o foco do trabalho, que será o ensino da língua portuguesa para imigrantes haitianos. Esse projeto é coordenado pelo Vitor Kurunkzy, um de nossos vocaionados.