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E, para que eu não ficasse orgulhoso com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte. Três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse: “A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nos insultos, nas privações, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte (2 Coríntios 12.7-10 - NAA).

 

Vivemos em meio à cultura da valorização de todo tipo de força. Quer seja a força física, estética, intelectual, financeira, política, popularidade, ou qualquer outro tipo, podemos perceber este valor estampado de várias maneiras ao nosso redor. Forbes mede os mais ricos; Nobel mede os de maior conhecimento; Olimpíadas medem os mais velozes, fortes e habilidosos; Miss Universo premia as mais belas; Youtube mede os mais populares; Guiness os mais de tudo, etc.

Em contrapartida a tudo isso, o apóstolo Paulo apresenta a contracultura cristã onde a fraqueza é o valor que todos devem se gloriar e sentir prazer. Outro ponto de vista, outra matriz de valores e pensamentos, outro mindset (mentalidade). É claro não se refere às fraquezas pecaminosas, das quais qualquer um deveria sentir vergonha e constrangimento, mas ao fato de sermos fracos, impotentes, débeis. Qual a lógica deste pensamento? Por que Paulo insiste nesta tese? Qual o benefício de passar a pensar assim?

Na fraqueza tomo consciência de quem sou. Há quem confie tanto na força do dinheiro que é até capaz de morrer com a chave do cofre nas mãos, mas não levará um centavo consigo. Há aqueles que confiam tanto na força física até serem acometidos de alguma enfermidade que os leve ao leito. Outros ainda confiam tanto na força da intelectualidade até serem visitados por algum problema que lhes afete a memória ou raciocínio. De fato e verdade, todos somos vulneráveis, frágeis e efêmeros, mas poucos têm consciência disso. O apóstolo Paulo já tinha passado por uma lista exaustiva de adversidades e sabia do que estava falando (2 Coríntios 11.23-28; 12.7). No texto, a lista resume-se a fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições, angústias. Toda vez que passamos por situações que ultrapassam nossos limites e recursos, nada melhor do que sermos tomados pela consciência de nossa pequenez. Isso é bom! Em certo sentido, a fraqueza é um megafone que nos faz lembrar sobre nossos limites e nossa dependência de alguém superior. Por isso, faça as pazes com sua fraqueza que ela o levará muito mais longe que sua força.

Na fraqueza encontro a graça do Senhor. Como isso acontece? Ora, quando estamos diante de nossas limitações, tomados da consciência de nossa pequenez, não há melhor lugar para estar senão buscando ao Senhor com todas as nossas forças, como fez Paulo diante de seu “espinho na carne”. Em outras palavras, a fraqueza pode desembocar no profundo e verdadeiro quebrantamento. O quebrantamento nos conduz a uma rendição e entrega superiores. A rendição abre nossos olhos para a graça. A graça de Deus jamais é revelada onde existe orgulho. Disse o Senhor: a minha graça é o que basta para você. Em outras palavras, a minha graça é suficiente, traz plenitude. Mais que presentes até muito desejáveis, como a retirada do espinho na carne, Paulo ganhou a presença reveladora do Senhor. Tinha até tido o privilégio indizível de ter sido arrebatado ao céu (1 Coríntios 12.1-6). Aquele espinho na carne não era nada diante do tamanho da graça revelada ao apóstolo. Por isso, faça as pazes com sua fraqueza pois ela é sua melhor oportunidade de viver a presença graciosa de Deus.

Na fraqueza o poder de Deus se aperfeiçoa. Quando reconheço que sou fraco e submeto-me à dependência total da graça do Senhor, o poder de Cristo passa a repousar sobre mim. A figura “repouso” traz em si o conceito de habitação, da mesma forma como o Tabernáculo do Senhor marcava sua presença no meio do povo. Por isso, Paulo celebra sua fraqueza. Não há qualquer prazer no sofrimento ou na humilhação proveniente da fraqueza. Ao contrário. O reconhecimento da fraqueza humana abre espaço para a manifestação da força do Senhor. Deus não caminha com quem caminha em sua própria força. Deus não age a favor de quem opera em sua própria força. Aquele que pensa que conseguiu por conta própria, rejeitou a graça de Deus. Esteja convicto que não vem de nós. Mais ainda, esteja convicto que não vem de nós para que ninguém se glorie. A graça da força de Deus só pode ser experimentada na fraqueza. Além disso, todo o poder de Deus recebido sem fraqueza se corrompe. Pouco interessa saber qual era o espinho na carne. Interessa saber que era necessário estar lá para que Paulo não fosse corrompido. Afinal, o que é melhor: acesso às revelações dos céus com espinho na carne ou sem espinho na carne mas sem tais revelações? Da fraqueza humana surge a força de Deus. Ora, se o poder de Deus é liberado em meio à fraqueza, não há mais fraqueza. Isto é bom demais! Por isso, faça as pazes com sua fraqueza, pois ela é sua melhor oportunidade de experimentar o poder de Deus.

Vamos rejeitar o discurso enganoso deste mundo que quer atribuir a nós o poder e a força. Não há nada em nós capaz de vencer as maiores adversidades da vida – a morte, por exemplo. O senso da própria fraqueza e o senso que a força vem de Deus precedem a vitória do Senhor em manifestação de poder e autoridade. Descubra a fonte da força. A graça de Deus nos basta. Quando estamos fracos, então é que somos fortes.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa