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Mensagem de 15.09.19
 

Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que vocês sejam curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo (Tiago 5.16 – NAA).
 

O Evangelho é essencialmente tecido de relacionamento pessoal, íntimo, verdadeiro e não virtual, superficial, enganoso. Jesus veio pessoalmente e estabeleceu sua igreja para ser lugar de ouvir e falar, sorrir e chorar, sentir e tocar. Nesse sentido, Tiago escreve a seus leitores que há cura na vida em comunidade. Associou essa cura ao ato da confissão. Essa confissão tem conteúdo, ambiente e resultado.

O conteúdo da confissão são os próprios pecados: confessem os seus pecados. Parece óbvio, mas nem sempre o é. Por quê? Porque nem sempre os reconhecemos, quer seja na forma da transgressão (pecado realizado) ou da iniquidade (inclinação a pecar). Por isso, toda confissão deve ser precedida por convicção (Salmos 51.4) e contrição (Salmos 51.17; Isaías 57.15). O Pr. Messias disse, certa vez, que o pecado é como um bicho-de-pé: no começo é até gostoso coçar. Mas, quando o bicho-de-pé não é tratado, pode evoluir para uma gangrena ou até mesmo para a necrose dos tecidos da área contaminada. Em casos extremos, a lesão pode ficar para sempre, tendo, às vezes, que remover partes da pele ou mesmo amputar os dedos. Ou seja, não brinque de coçar o pecado. Quanto mais cedo o pecado for reconhecido, menor será o dano e mais leve será o tratamento.

O ambiente da confissão é a vulnerabilidade compartilhada: uns aos outros e orem uns pelos outros. O texto relaciona o ambiente de cura com o ambiente de transparência de coração e abertura das fraquezas e lutas que todos passamos. Observe que não é só a confissão, mas confissão seguida de oração mútua. Esse quadro sugere ambiente de respeito, confiança, mutualidade, amor. Isso mesmo, somente confessa quem confia. Somente confia quem percebe mutualidade. Somente existe mutualidade quando se ama. Mostrar-se vulnerável parece fraqueza, mas, na verdade, exige muita coragem. Ao invés de apresentar-se como fundador de 21 igrejas na Ásia Menor, ou dar detalhes do que viu e ouviu quando arrebatado ao terceiro céu, Paulo descreveu o quanto era fraco, difícil, partido, quebrantado, e como algumas de suas orações não foram respondidas da maneira como ele desejava. Mostrando sua fraqueza ensinou que o Reino de Deus trata do poder e da força de Deus, não os nossos! Ouvir sobre vulnerabilidade e quebrantamento é perturbador, pois parece arriscado demais, perigoso demais, improvável demais. Mas é libertador!

O resultado da confissão é cura: para que vocês sejam curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. Enquanto o pecado adoece, a confissão é um poderoso remédio para cura e libertação (Salmos 32.3-5). Conta-se a história de dois irmãos que passavam as férias no sítio dos avós. O menino ganhou um estilingue para brincar no mato e, por acidente, em um impulso, atirou e acabou matando o pato predileto da avó. Sua irmã viu tudo mas não disse nada aos avós. Após o almoço no dia seguinte, a avó disse: “Minha neta, vamos lavar a louça”. Mas ela respondeu: “Vovó, meu irmão me disse que queria ajudar na cozinha”. E olhando para ele disse: “Lembra do pato?” Então ele lavou os pratos. A partir daí, só ele ajudava a arrumar a casa, lavar a roupa, ajudar na cozinha. Ela só dizia: “Lembra do pato?” Até que um dia, não aguentando mais, confessou para a avó que tinha matado o pato. A vovó o abraçou e disse: “Querido, eu estava na janela e vi tudo, mas porque eu te amo, eu te perdoei. Queria saber quanto tempo você iria deixar o pecado fazer você de escravo!” Em Cristo, todos os nossos pecados foram perdoados. Vamos confessar para não sermos escravos do inimigo.

Há uma cura reservada para aqueles que vivem em comunidade a ponto de mostrarem suas vulnerabilidades, confessando seus pecados uns aos outros. Precisamente, nesse ambiente, a oração torna-se poderosa e eficaz. Vamos, pois, viver nessa dimensão proposta pela palavra.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa