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“Como você pode se aproximar de Deus estando distante de si mesmo?”, perguntou Agostinho em Confissões. “Quase todos os problemas na vida espiritual têm sua origem na falta de autoconhecimento”, afirmou Teresa de Ávila em O caminho da perfeição. “A sabedoria verdadeira e substancial consiste quase inteiramente em duas coisas: conhecimento de Deus e de nós mesmos; não é fácil ver qual dos dois precede e dá origem ao outro”, escreveu João Calvino na abertura de As Institutas. Ao longo dos séculos, tem-se percebido que espiritualidade saudável implica em saúde emocional saudável e isso vem com o profundo e equilibrado autoconhecimento. Vejamos como isso ocorreu em Davi, Jesus e Paulo.

Autoconhecimento em Davi. Na vida do Rei Davi encontramos episódios intrigantes e, ao mesmo tempo, inspiradores. Era adorador, inteligente, astuto, sensível, mas, também, impulsivo e cheio de problemas familiares. Quando assediou uma jovem casada, foi confrontado pelo profeta Natã (2 Samuel 12.1-15). Arrependido, compôs o Salmo 51, e, entre outras palavras, escreveu: Pois eu conheço as minhas transgressões (v 3). Olhar para dentro de si e aprender a se autoquestionar e autoavaliar é uma grande virtude. Mesmo diante do confronto, Davi nos ensina que o autoconhecimento é uma ferramenta poderosa para avançarmos e vivermos a plenitude do propósito do Senhor em nossa vocação e relacionamentos. Davi se tornou um grande e reconhecido rei e foi mencionado como um homem segundo o coração de Deus (Atos 13.22).

Autoconhecimento em Jesus. Lemos nos evangelhos como Jesus tinha profunda conexão com seu universo interior e sabia externalizar seus pensamentos e emoções com liberdade. Jesus ficou agitado em espírito e perturbou-se (João 11.33), chorou em diferentes ocasiões (João 11.33-36; Lucas 19.41), admirou-se (Mateus 8.10), indignou-se (Marcos 10.14), enfureceu-se (João 2.13-17). Teve muita compaixão pelos necessitados (Mateus 20.34; Marcos 1.41; Lucas 7.13) e demonstrou sua necessidade por companhia amiga (Lucas 22.15). Conhecia-se perfeitamente e fazia-se conhecer com clareza. Na linguagem moderna, podemos afirmar que Jesus era emocionalmente inteligente e espiritualmente maduro.

Autoconhecimento em Paulo. Ao lermos suas treze epístolas, podemos perceber que Paulo tinha uma equilibrada percepção de si mesmo. Tinha consciência de sua humanidade (Romanos 7. 21-24) e de suas limitações (1 Timóteo 1.15); de sua fraqueza e dependência de Deus (2 Coríntios 12.10); de sua humildade (2 Coríntios 11.7) e de suas dores e sofrimentos (2 Coríntios 11. 23-30). Mas sabia que podia se alegrar em tudo (Filipenses 4.4; 4.13); olhar a vida pelo lado bom das coisas (2 Coríntios 4.7-9); gostava e precisava da presença de amigos demonstrando afeto  (Atos 20.36-38); tinha uma autoestima equilibrada (1 Coríntios 1.13; 3.4-7; 2 Coríntios 12.1-6) e um sentimento de missão cumprida (2 Timóteo 4.7-8). Paulo conhecia a si mesmo e conhecia a quem servia.

Assim como Davi, Jesus e Paulo, somos desafiados a nos conhecer profundamente, entendendo melhor aquilo que está na parte mais profunda do nosso ser e deixando-nos ser trabalhados e conduzidos pelo Espírito Santo para crescermos e amadurecermos na vida.

Daniel Zemuner, Pedro Leal Junior e Rodolfo Montosa

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