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Mensagem de 23.09.18

Mas o fruto do Espírito é … longanimidade … (Gálatas 5.22).

No Antigo Testamento, a expressão longanimidade vem do hebraico ‘erek ‘aph, que significa literalmente “nariz longo” ou “respiração longa” ou ainda “fôlego comprido”. Faz oposição à ira que é acompanhada por uma respiração violenta e rápida através das narinas. Daí ser traduzido também por “tardio em irar-se”. No popular, é a capacidade de “respirar fundo e contar até dez” diante de situações desconfortáveis. No Novo Testamento, vem do grego makrothymia (makros = longo, thumos = temperamento), que traz o sentido de longo de alma, ou ainda longo de ânimo. Faz oposição ao destempero impaciente, comportamento intolerante, alma pequena. Em outras palavras, fala de uma pessoa bem temperada e equilibrada.

Longanimidade é um atributo de Deus (Êx 34.6; Nm 14.18; SI 86.15; Sl 103.8; Ne 9.17; Jl 2.13; Na 1.3) com o propósito de levar o homem ao arrependimento (Rm 2.4; Rm 9.22-23; 1Tm 1.15-16; 1 Pe 3.20; 2 Pe 3.9, 15). Essa mesma longanimidade foi dada a nós como fruto do Espírito Santo para nos proteger, fazer avançar e conquistar suas promessas.

A longanimidade nos protege das reações produzidas por raiva, rancor, ódio e ressentimento. Diante de injúrias e adversidades, ela gera a paciência para suportar, não se deixando tomar por explosões de ira e furor, ou reagir por loucura, cujas consequências são terríveis e os danos incalculáveis. Ela nos protege das guerras e de conflitos sem fim. Salomão, em sua sabedoria dada por Deus, declarou: O homem iracundo suscita contendas, mas o longânimo apazigua a luta (Pv 15.18). O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura (Pv 14.29). A discrição do homem o torna longânimo, e sua glória é perdoar as injúrias (Pv 19.11).

A longanimidade nos faz avançar, pois, como não se rende às circunstâncias nem sucumbe sob provas, produz capacidade de perseverar. Talvez por essa razão Salomão concluiu que a longanimidade persuade o príncipe, e a língua branda esmaga ossos (Pv 25.15). Ao contrário de parecer uma fraqueza, há um poder tremendo na longanimidade do discurso calmo, perseverante, conciliatório e não ofensivo perante superiores, ou qualquer outra pessoa. Em outras palavras, por meio da longanimidade o governante é persuadido, a hostilidade é vencida, os ossos dos oponentes são esmagados. Por isso, conclui-se que melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade (Pv 16.32).

A longanimidade nos faz conquistar o melhor de Deus, conforme a exortação aos leitores da carta aos Hebreus: não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas (Hb 6.12). Os crentes são herdeiros das promessas de Deus pela fé e longanimidade. A fé é suficiente para garantir a herança. A longanimidade é necessária para conquistá-la. Sem longanimidade, desistimos no meio do caminho, tornamo-nos indolentes e preguiçosos. A longanimidade produz em nós paciência incansável, apego inabalável à esperança, sujeição completa à soberania de Deus. Dentre os muitos heróis da fé dignos de serem imitados, destaca-se a longanimidade que permitiu a Abraão conquistar a promessa do filho e da numerosa descendência. Enquanto a fé assegura a promessa, a longanimidade nos faz possuí-la.

Certa vez li uma frase de três regras que dizia: Não prometa nada quando estiver feliz; não responda nada quando estiver irritado; não decida nada quando estiver triste. Muito inteligente, não? Pois bem, a longanimidade que nos ajuda nas respostas e decisões é uma dádiva do Pai, disponível a todo aquele que está em Cristo através do Espírito Santo, para nos proteger, fazer avançar e conquistar suas promessas. Vamos, pois, desfrutar por completo desta longanimidade do Espírito.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa